| Em um momento de retração
da produção industrial por conta da crise econômica,
a indústria de bebidas mostra fôlego e conquista
uma expansão de 5% em abril, na comparação
com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número foi divulgado em recente matéria do
jornal O Estado de S.Paulo, que destaca um verão
ensolarado e consumidores com mais dinheiro no bolso como
fatores de crescimento da indústria de bebidas. No
mesmo período, a produção industrial
total do Brasil teve queda de cerca de 15%.
Na reportagem, o economista da Coordenação
de Indústria do IBGE, André Macedo, explica
que o bom desempenho vem sendo puxado especialmente por produtos
como cerveja e refrigerante, que registram expansões
mensais em torno de 10% em relação ao ano passado.
Macedo atribui a expansão à manutenção
de crescimento da renda, fator determinante para os resultados
de bens de consumo não duráveis, como as bebidas.
Em entrevista ao jornal, o gerente de Relações
com Investidores da AmBev, Michael Findlay, declara que os
segmentos de cerveja e refrigerantes têm maior estabilidade
do que outros ramos da indústria. O executivo aposta
que o bom momento deve continuar, principalmente se não
houver uma alta do desemprego no País.
Para Findlay, o aumento do salário mínimo,
o clima favorável e o fato de o carnaval ter sido realizado
duas semanas mais tarde do que no ano passado, prolongando
as férias, foram determinantes para o bom desempenho
do setor, mas o "fator renda" representou a principal
influência positiva.
Na avaliação de Marco Simões, vice-presidente
de Comunicações e Sustentabilidade da Coca-Cola,
ouvido pela reportagem, o consumo de bebidas está muito
ligado à renda das famílias. “Apesar da
crise, a renda não sofreu uma queda tão expressiva,
que mudasse o hábito de nossos clientes", justifica
Simões, que também está bastante confiante
na manutenção do crescimento do mercado de bebidas. |