| Uma reportagem do jornal O Estado
de S.Paulo indica que o consumo de bebidas, alimentos e
artigos de higiene e limpeza não foram afetados pela
crise econômica. Pelo contrário, o consumo destes
produtos foi até sofisticado no primeiro semestre do
ano. As classes D e E, por exemplo, de menor renda, incluíram
novos itens de compra em suas despesas.
Em épocas de instabilidades econômicas, os produtos
básicos ganham força. Entre janeiro e junho,
as famílias brasileiras compraram um volume 14% maior
de bens não duráveis e ampliaram em 19% o desembolso
com esses itens em relação a igual período
de 2009, segundo pesquisa da LatinPanel divulgada pelo jornal.
"Foi o melhor primeiro semestre para esses produtos desde
2006 em termos de taxa de crescimento anual", afirmou
a diretora comercial da LatinPanel e responsável pela
pesquisa, Christine Pereira.
Alguns fatores foram decisivos para o aumento deste consumo.
Com uma inflação controlada que deu maior poder
de compra aos salários, os consumidores decidiram trocar
as compras de bens financiados por compras à vista.
Situações novas, como a lei seca e a gripe suína,
reforçaram a tendência de gastar mais com produtos
consumidos dentro de casa, explicou a pesquisadora.
O maior crescimento em volume ocorreu nos alimentos, que
tiveram um aumento de 15% ante o primeiro semestre de 2008.
Em valor, o acréscimo foi de 18% no mesmo período.
De acordo com a pesquisa, a cesta de produtos que apresentou
maior taxa de crescimento em valor foi a de produtos de higiene.
No primeiro semestre deste ano, os gastos aumentaram 26% na
comparação com os mesmos meses de 2008.
Para Christine Pereira, a justificativa para esse acréscimo
é que, em momentos de crise, quando os consumidores
deixam de comprar itens mais caros e viajar, eles costumam
compensar essa lacuna com o aumento de gastos com pequenas
"indulgências", que são os produtos
de uso pessoal. Esta tendência positiva para os bens
não duráveis deve ser impulsionada no segundo
semestre, com a recuperação da renda e do emprego. |