| Recente matéria do ABRE Notícias,
publicação da Associação Brasileira
de Embalagem, aponta para um início de ano bastante positivo
para o setor industrial. Empresários e economistas projetam
dois dígitos de crescimento da produção
das indústrias no primeiro trimestre, período
tradicionalmente fraco, marcado por férias coletivas
e demissão de temporários.
De acordo com a consultoria MB Associados, a expansão
no período deverá ser de 12,1%. A LCA Consultores,
por sua vez, mais otimista ainda, espera por um crescimento
da produção industrial de 16,5%. É claro
que a base de comparação é muito baixa.
A indústria brasileira chegou a cair 17,2% no começo
deste ano. Em compensação, as empresas estão
diminuindo estoques rapidamente e, com a perspectiva de um
bom Natal, o setor deverá chegar à virada do
ano sem produtos acabados, o que ajudará ainda mais
na reação, no começo de 2010.
A reportagem ouviu Roriz Coelho, diretor do Departamento
de Tecnologia e Competitividade da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
Para ele, a grande maioria das empresas que não depende
de exportação também trabalha neste fim
de ano no limite máximo da produção e
teve de recorrer ao cancelamento das tradicionais férias
de fim de ano. "Os níveis de estoque nos diversos
segmentos da indústria continuam muito baixos e os
pedidos do varejo ainda não terminaram", revelou
Coelho. "A logística vai ter que trabalhar muito
para não faltar produtos nas lojas, porque este Natal
promete ser um dos melhores dos últimos cinco anos."
Na avaliação do economista-chefe da LCA Consultores,
Bráulio Borges, a economia brasileira voltou ao nível
pré-crise nesse terceiro trimestre, que terminou em
setembro. A recuperação foi rápida (a
crise durou quatro trimestres), comparada com outras recessões
ocorridas entre 1980 e 2003, quando o país levava de
oito a dez meses para retomar o crescimento. "Foi uma
recuperação rápida, que ajuda a explicar
por que as taxas de crescimento vão ficar ainda mais
robustas no último trimestre deste ano e, principalmente,
nos primeiros três meses de 2010", afirmou o economista.
Para Bráulio, a tônica da atividade nesse período
será a de os bancos privados pisarem no acelerador
do crédito para o consumo e para as empresas. O economista
lembrou que hoje já não há tanto receio
de emprestar, porque a inadimplência do consumidor está
em queda e a das empresas parou de subir. "Com os bancos
privados voltando ao jogo do crédito, a gente pode
esperar uma competição ferrenha pelo consumidor
e pelas empresas, o que obviamente vai estimular a atividade
econômica." |